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23/10/2005 03:54
Paixão Nacional

Esta foto foi escolhida por motivos óbvios
De uns tempos pra cá parece que um pequeno complô foi formado para confundir o homem brasileiro. Dizem que as coisas já não são as mesmas e agora a PAIXÃO NACIONAL dos homens são os seios, feito o gosto dos americanos. Na minha modesta opinião, acho que isso tudo e invenção de cirurgião plástico para conseguir mais clientes. Todos sabemos qual é de verdade a PAIXÃO NACIONAL do homem brasileiro, sempre foi e sempre será. Apesar de fazer a alegria e povoar os sonhos de muita gente, a PAIXÃO NACIONAL quase nunca é homenageada em prosa e verso. Dizem que Chico Buarque uma vez quase fez uma música para ela, mas na hora H mudou uma única letra e chamou a canção de A BANDA. Certos comentários maldosos afirmam que hoje não é preciso mais de quase nenhum talento vocal para cantar, basta ficar de costas para que ELA seja apreciada por todos. Carlos Drummond de Andrade, um dos maiores poetas brasileiros, não esqueceu da PAIXÃO NACIONAL e fez uma poesia especialmente para ela, A BUNDA. Eis o poema:
A bunda que engraçada
A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora murmura a bunda esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
rebunda.
Carlos Drummond de Andrade
Esta e outras poesias de cunho mais picante fazem parte de um livro chamado O AMOR NATURAL, que catalogou todo este lado da obra de Drummond e foi publicado após a passagem do poeta para o mundo espiritual. Vendo esta poesia, não consigo deixar de analisar a BUNDA sobre o aspecto SEICHO-NO-IE. Devemos agradecer sempre a BUNDA, ela é fundamental para que a gente possa sentar, além do mais, a BUNDA garante o emprego dos publicitários da indústria de cerveja, o sucesso das bandas de Axé e a alegria dos comerciantes na época do Carnaval. Brincadeiras a parte, não parece, mas vou analisar a BUNDA de um modo sério e jamais visto. Primeira coisa que devemos prestar atenção nos versos do Poeta: Está sempre sorrindo (a BUNDA), nunca é trágica. Se um dia te chamarem de Cara de BUNDA, coloque-se em posição de reverência com as mãos justapostas e diga um sincero MUITO OBRIGADO! Se a BUNDA está sempre sorrindo segundo Drummond e você tem Cara de BUNDA, é sinal que você recebeu um elogio, disseram que na verdade você é uma pessoa FELIZ. Ainda sobre esta estrofe, muitas mulheres detestam aqueles homens que entortam o pescoço quando elas passam e os chamam de cafajestes. Baseados nesta estrofe, será que a sua BUNDA não está sorrindo mais que o seu rosto, por isso os homens entortam o pescoço e nem olham na sua cara? Pois é, a BUNDA está sempre sorrindo e seu rosto, será que pode sorrir mais que a sua BUNDA? Outra estrofe: A bunda se diverte por conta própria. E ama. E você, se diverte por conta própria, ou seja, é FELIZ simplesmente por ser abrilhantado pela dádiva da VIDA como a BUNDA ou precisa sempre de coisas como carro, casa, viagem para Miami...? A BUNDA não precisa de apetrechos, ela se diverte por conta própria e ainda por cima ama!!!! Você anda amando a tudo e a todos feito a BUNDA ou as preocupações fenomênicas te arrastam de um lado para o outro? Continuando na estrofe debaixo: Na cama agita-se, em outras palavras, a BUNDA segue o princípio SEICHO-NO-IE do movimento contínuo rumo a prosperidade! Tanto é assim que para um folgado a primeira coisa que dizemos é TIRA ESSA BUNDA DO SOFÁ E VÁ PROCURAR ALGO PARA FAZER. Nossa! Quantas lições a BUNDA já nos ensinou graças a Drummond. Olhando de maneira certa, uma simples BUNDA pode nos mostrar todos os passos da VERDADE DA VIDA. Mais uma estrofe: Esferas harmoniosas sobre o caos. A BUNDA aqui nos mostra a postura correta harmoniosa da vida frente ao universo caótico do fenômeno e assim a BUNDA progride. Uma coisa que não está no poema, o que é de fato a BUNDA? Se olharmos bem, a BUNDA é o finalzinho da perna esquerda que se encontra com o finalzinho da perna direita (pólos positivo e negativo), mas para virarem BUNDA, estas partes perdem a sua individualidade e sem tornam uma única peça, a BUNDA. Assim deve ser o nosso encontro com a Metade da Alma, o encontro do pólo positivo com o negativo onde as duas partes abrem mão um pouco da individualidade para formar algo melhor, um CASAL, uma FAMÍLIA e esta é uma das tantas lições que a BUNDA nos dá de graça. Amigos, sinceramente, quero ser lembrado como a BUNDA descrita por Drummond e espero que, quando eu passe na rua, alguém fale algo copiando o poeta: Lá vai sorrindo este cara . Vai feliz
MUITO OBRIGADO!*
*Deus cria e eu escrevo
enviada por Anjo Presuncoso
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